wpe1.jpg (28130 bytes) AÇUDE MUNDAÚ

DESCRIÇÃO GERAL

       A barragem do Açude Mundaú está localizada no município de Uruburetama, estado do Ceará, a cerca de 108 km de Fortaleza. O acesso ao local é feito partindo-se de Fortaleza, pela rodovia BR-222 até a cidade de Umirim; a partir daí, segue-se pela rodovia CE-016 até a cidade de Uruburetama. A barragem fica 2 km a montante da cidade.

       Os estudos básicos para a implantação da barragem se iniciaram no segundo semestre do ano de 1953, quando uma equipe de topografia do Primeiro Distrito foi designada para pesquisar, ao longo do rio Mundaú, um local apropriado para a construção de uma barragem. Foram examinados 15 locais, desenvolvendo-se para cada um, levantamento topográfico do boqueirão e reconhecimento da bacia hidráulica. O boqueirão a ser selecionado deveria preencher não só os requisitos físicos mas, e principalmente, a preservação da bacia de irrigação, que se expande logo a jusante da cidade de Uruburetama. Observou-se, ainda, o traçado das rodovias e ferrovias então existentes, para que nenhum leito de estrada fosse inundado.

       O rio Mundaú nasce na parte meridional da serra de Uruburetama, tem um curso de 160 km e desemboca no oceano, formando um pequeno estuário. Descendo a serra, percorre um trecho de forte inclinação, quase sempre encachoeirado e com encostas próximas, onde existem bons boqueirões, porém, com bacias de acumulação bem reduzidas. É considerado perene até a altura da cidade de Uruburetama e, a partir daí, começa a área irrigável, ampla, de terras planas e férteis, onde é predominante a produção de banana.

       O local que melhor se apresentou para construção da barragem, que não inundaria a área de aluvião, foi o boqueirão Cachoeira, 2 km a montante da cidade, o que permitiu, além do aproveitamento em irrigação, o abastecimento d'água da cidade.

       Selecionado o sítio, foram iniciados o levantamento topográfico da bacia hidráulica e as pesquisas de materiais para construção.Foram colhidas amostras do solo para exame  de laboratório, realizado pelo Instituto Tecnológico do Estado do  Rio Grande do Sul,que constaram de peneiramento e determinação dos índices de Atteberg.

       O Projeto Executivo foi iniciado pelo DNOCS em 1963, através da Divisão de Estudos e Projetos (DEP) de Recife.

       A bacia hidrográfica no local da barragem é de 36,25 km².

       O lago formado cobre uma área de 125 ha, acumulando um volume de 21.308.000m³ d'água e regularizando uma    vazão de 0,96 m³ (Fig. 2).

      

wpe2.jpg (13636 bytes)

HIDROLOGIA

       Para obtenção da pluviometria média da bacia, foram  utilizados os dados do Mapa Pluviométrico do Nordeste, referente ao período de 1912 a 1913, para o posto de Uruburetama. A seguir, foi aplicada a metodologia do Eng. Aguiar para determinar os demais parâmetros necessários ao dimensionamento do reservatório.O volume a ser acumulado pelo açude foi avaliado para encher com o terceiro inverno normal, deduzindo-se, em cada verão, o volume d´água perdido por evaporação, correspondente a 2m de altura. O estudo de cheias foi realizado com a aplicação da fórmula de Ryves.

 

Área da bacia  hidrográfica                  36,25km²

Comprimento do talvegue                        13 km

Pluviometria média                             1.100mm

Classificação da bacia                        Tipo 2 da classificação de Ryves ou de topografia íngreme e rochosa, com                                                K= 0,15 e C= 0,95

Rendimento da Bacia                          01,189m

Volume afluente                                 8.229.885m³

Cheia secular                                     95,55m³/s

 

wpe3.jpg (23819 bytes)

Fig. 3 Curvas cota x área x volume

GEOLOGIA E GEOTECNIA

       O local da obra é representado por um complexo migmatítico gnáissico, formado por uma associação de gnaisses xistosos e graníticos. Este maciço se apresenta pouco alterado, medianamente fraturado, com suas fraturas normalmente seladas ou preenchidas (Fig. 4).

wpe4.jpg (15058 bytes)

       O material terroso empregado na construção do maciço é originário do solo residual do complexo migmatítico gnáissico, xistosos e graníticos. de composição areno-argilosa (SC); o material arenoso provém do leito do rio e o material pétreo da escavação do vertedouro.

ARRANJO GERAL

       A disposição das estruturas inclui o vertedouro na ombreira direita, a barragem fechando o vale e, sob a mesma, no pé da ombreira direita, a tomada d'água (Fig. 5).

 

wpe5.jpg (41587 bytes)

BARRAGEM

       A barragem do Açude Mundaú é de terra homogênea, com material areno-argiloso de baixa permeabilidade, com um sistema de drenagem interna constituído de filtro vertical/ tapete drenante/enrocamento de pé. O talude de montante é protegido por um "rip-rap" de pedras jogadas, Sua declividade é de 1V:2,5H nas cotas superiores e de 1V:3H nas cotas inferiores. O de jusante é protegido por grama, e a drenagem superficial é garantida por um sistema de canaletas transversais e valetas longitudinais. A declividade do talude de jusante é de 1V:2H entre o coroamento e o patamar da cota 154,50; daí para baixo, é de 1V:2,5H. A extensão pelo coroamento é de 444 m, e a altura máxima é de 36,30 m (Fig. 6).

wpe6.jpg (17019 bytes)

VERTEDOURO

       O vertedouro está localizado na ombreira direita e constitui-se de um corte em toda a sua extensão, com largura de 54 m, com cordão de fixação da soleira em concreto simples e muros laterais de proteção às encostas em concreto ciclópico.

wpe7.jpg (10846 bytes)

TOMADA D'ÁGUA

       A tomada d'água é composta de uma torre de comando com comporta a montante, uma galeria em concreto armado, que envolve uma tubulação de aço de 0,75 m de diâmetro, e uma casa de comando da válvula dispersara a jusante .

CONSTRUÇÃO

       A licitação para a implantação das obras do Açude Mundaú ocorreu no final do ano de 1984, sendo vencedora a firma EMPA S.A. Serviços de Engenharia. Porém, os trabalhos não puderam ser iniciados devido a problemas relacionados à desapropriação das terras na área da barragem.

        Nesse ínterim, por determinação da Diretoria Geral do DNOCS, o projeto foi enviado para a Sala Técnica da Diretoria de Estudos e Projetos (DIPRO), que fora recentemente criada, para fins de análise. A partir desta análise, verificou-se o subdimensionamento ' da drenagem interna do maciço e do diâmetro da tomada d'água, a necessidade de deslocamento do vertedouro para evitar erosões no talude de jusante e de revisão nos cálculos de estabilidade do maciço. Providências neste sentido foram então tomadas, com base nos estudos topográficos e geotécnicos fornecidos pela 2ª Diretoria Regional, em Fortaleza.

       Nessa época, a EMPA transferiu para a Construtura Queiroz Galvão S.A. a responsabilidade de implantação das obras, através de um termo de cessão, com a aquiescência do DNOCS. Numa primeira visita ao local das obras, realizada por técnicos do Departamento, foi levantada a hipótese de mudança do eixo de projeto, a fim de se reduzir o volume do aterro compactado. No projeto original a barragem se desenvolvia num eixo curvo e, depois de avaliada a nova hipótese com eixo reto, constatou-se que a mesma apresentava uma significativa redução no volume do maciço. Após apreciações de implicações de ordem técnica, que adviriam com a mudança de eixo, decidiu-se pela adoção do eixo reto.

       Finalmente, em novembro de 1986, deu-se o início das obras, que prosseguiram sem quaisquer anomalias até sua conclusão, em março de 1988.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DNOCS. Diretoria de Estudos e Projetos. Açude Púbico Mundaú; memória descritiva e justificativa do projeto de otimização, alternativa II - eixo retilíneo. Fortaleza, 1985.14 p.

DNOCS. 3. D.R. Memória descritiva e justificativa do Projeto do Açude Púbico Mundaú. Recife, 1963. 9 p.

 

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
CAPACIDADE 21.308.000m³ VOLUME DE TERRA 562.747m³
LOCALIZAÇÃO Uruburetama-CE VOLUME DE ENROCAMENTO 6.667m³
SISTEMA/SUBSISTEMA Mundaú

VERTEDOURO

 
RIO BARRADO Mundaú TIPO Soleira Espessa
BACIA HIDROGRÁFICA 36,25Km² LARGURA DA SOLEIRA 58m
BACIA HIDRÁULICA 125ha LÂMINA MÁXIMA 1m
PRECIPITAÇÃO MÉDIA ANUAL 1.000mm DESCARGA MÁXIMA 95,55m³/s
VOLUME MORTO 2.133.000m³ REVANCHE 2,5m
NÍVEL D´ÁGUA MÁXIMO 165,00 COTA DA SOLEIRA 164,00
PROJETO DNOCS VOLUME DE ESCAVAÇÃO 89.416m³
CONSTRUÇÃO Construtora Queiroz Galvão S.A VOLUME DA ESTRUTURA 20m³

BARRAGEM

 

TOMADA D´ÁGUA

 
TIPO Terra Homogênea TIPO Galeria com Torre
ALTURA MÁXIMA SOBRE AS FUNDAÇÕES 36,30m COMPRIMENTO 247m
EXTENSÃO PELO COROAMENTO 444m DIMENSÃO DA SEÇÃO O=0,75m
LARGURA DO COROAMENTO 8m DESCARGA REGULARIZADA 0,96m³/s
COTA DO COROAMENTO 166,50 ALTURA DA TORRE 34m
VOLUME DE ESCAVAÇÃO DA FUNDAÇÃO 37.072m³ VOLUME DA ESTRUTURA 1.898m³
VOLUME TOTAL DO MACIÇO 569.414m³ DIMENSÕES DA COMPORTA 1,00 X 1,00m
    DISSIPAÇÃO A JUSANTE Válvula Dispersora